Em 28 de Setembro do ano de 1942 nasce Sebastião Rodrigues Maia, um cidadão que veio para marcar a história da música, preenchendo suas primeiras páginas bem ali, no bairro da Tijuca. Logo saberiam que estremecer e sentir o que é Soul e Funk teria a marca registrada de ‘’Tim Maia’’ no Brasil!
Sebastião despertou seu lado artístico aos oito anos compondo, com doze incentivado pelo pai, começa a ter aulas de violão e também tocava bateria. Era o penúltimo de 19 irmãos (se mantendo o caçula) e quando moleque tinha o apelido de ‘’Tião marmiteiro’’. Porque era o responsável pelas entregas dos marmitex que seu pai preparava e na maioria das vezes, demoravam a chegar porque ele se distraia brincando e depois acabava comendo parte do almoço dos outros no caminho. Foi assim que teve seu primeiro encontro com Erasmo Carlos, que o surpreendeu enquanto devorava a marmita de sua familia.
Em 1957, bebendo da fonte musical de artistas como: Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elvis Presley e até Chuck Berry criou a banda The Sputnicks com Roberto Carlos. Mas aos 17 anos, depois da morte de seu pai, decide tentar a vida nos Estados Unidos. Sua intenção era estudar cinema e televisão, porém tornou-se o ícone brasileiro que enriqueceu a música do nosso país, trazendo dos EUA o estilo próprio do funk/soul brasileiro. Tudo em uma época em que o Funk era fortemente a música do “swing” , o “groove” da alma com James Brown, o pai do Soul. Dos movimentos surgidos entre os anos 60 e 70 a música negra sempre esteve presente como símbolo de luta, coragem e resistência cultural. O Funk e o Soul criaram adeptos por todo o mundo e a música black brasileira da década de 70, influenciou e influencia grande parte da produção musical contemporânea.
Esta história enriqueceu e foi super importante para a formação e bagagem musical do artista. Foi sem sobra de dúvidas, fundamental para a nossa revolução musical.
Nos EUA Tim trabalhou como entregador de pizzas entre outros serviços manuais, chegou a participar de um grupo vocal chamado The Ideals e se virava muito bem. Viveu por lá entre 1959 e 1963, até ser preso por porte ilegal de maconha sendo em seguida deportado. Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Tim Maia era cômico , colecionou desafetos e processos trabalhistas -- de artistas contra ele e dele contra outros (gravadoras, músicos, jornalistas...).
No ano de 1964, quando surgia no Brasil a Jovem Guarda (estourando igual pipoca), Tim Maia foi morar em São Paulo e procurou por Roberto Carlos. Na primeira tentativa se decepcionou, mas não desistiu até conseguir entrar no prédio do artista e fazer com que o mesmo ouvisse sua proposta. Na época Roberto já tinha um espaço na Tevê e aos poucos o gordinho foi aparecendo.
Com conhecimentos e parcerias, através dos Mutantes, surgiu a oportunidade de gravar seu primeiro compacto com Eu Amo Você e Primavera. Nesse mesmo ano, a grande cantora Elis Regina gravou These are the Songs.
Em 1975, Tim Maia já era um grande sucesso; mas resolveu dedicar sua carreira a seita Universo em Desencanto. A Fase racional (1975-1976) de sua vida, liderada por Manuel Jacinto Coelho, um "guru" da ufologia. O que foi realmente um desencanto, pois três anos depois abandonou a seita, quando percebeu que o seu “mestre espiritual” era na verdade um tremendo picareta. A religião se mostrou milagrosa apenas em ganhar dinheiro as custas de Tim. O cantor revoltado passou a renegar seus discos, e nunca os relançou. Pediu, inclusive, para que outros artistas não gravassem nenhuma musica. Nesta época lançou os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (palavra "amores" ao contrário e abreviação do próprio nome "Sebastião Rodrigues Maia") e mesmo decepcionado, o álbum não deixou de ser um sucesso.
Em 80 e 90 suas músicas foram marcadas tanto por baladas, como por batidas funk/soul com samba. E lá estava com grandes sucessos românticos e canções dançantes.
Tim Maia veio a falescer em 1998, aos 55 anos. A causa da morte foi infecção generalizada, que interrompeu o funcionamento de vários órgãos. Tim Maia começou a passar mal durante uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói, se retirando do palco com falta de ar onde foi direcionado ao hospital.
- Eu tinha 14 anos, quando assistia com a minha mãe a despedida do grande ícone da música. Suas canções me arrepiavam e uma saudade já me envolvia, aquilo automaticamente marcou a minha vida. Eu conhecia todas as musicas que tocavam e sentia muito por saber que o Brasil estava perdendo um grande mestre musical. Este foi um ser humano que deixou histórias engraçadas (motivos para vários sorrisos), e como exemplo um amor e uma simplicidade além daquele corpo imenso que ele carregava.
Escrever sobre Tim Maia é apaixonante, porque sempre fui pirada no som dele e em sua história. Para montar este texto absorvi informações da internet, de biografias como: "Vale Tudo: O Som e a Furia" e "Noites Tropicais" somando toda minha emoção. Ele me faz chorar, porque cantava a verdade e a autencidade de forma única. Todas aquelas letras dos seus momentos de amor, de paixão, do extase a loucuras, em meio a frustrações e assim por diante.
‘’Azul da cor do mar’’ ele escreveu em um momento de pura solidão e rejeição, jogado no meio de uma sala (onde dormia), enquanto seus companheiros de casa se divertiam com algumas garotas no quarto. Tim Maia na sala vazia e o quadro a sua frente. Eis a inspiração.
‘’Gostava tanto de você’’ uma declaração de amor a uma perda. Dizem que ele escreveu para um filho que nasceu morto.
‘’Você’’ uma das canções mais romanticas e o apelo: Não não, não vá embora. Vou morrer de saudade...
‘’Esta Tal Felicidade’’ uma das minhas preferidas: E esta tal felicidade, hei de encontrar, mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar...
‘’Não quero dinheiro (Só quero amar)’’ representa uma paixão intensa que ele teve, uma mulher que roubou o coração de Tim. A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando, quando a gente ama...
E não importa a decepção com o Universo em Desencanto (religião), a música ‘’Bom Senso’’ representa a história de sua vida. Este Funk vem redondo, com baixo marcando e bateria swingada que explodem no refrão em um soul gritado pela voz forte de Tim. A letra é a sua pura verdade: "Já virei calçada maltratada/e na virada quase nada/me restou, a curtição/já rodei do mundo quase tudo/no entanto, num segundo este livro veio à mão/já senti saudades, já fiz muita coisa errada, já vivi nas ruas, já pedi ajuda/mas lendo atingi o bom senso/a imunização racional".
Tim Maia foi único, não terá outro e ele é eterno. O namorado, marido, amante de tudo que ele realmente gostava. E nunca deixou de ser um verdadeiro romântico. Admitia que ser corno era natural e perdoar isto muito mais, dizia que quem nunca foi corno não sabia fazer música e não sabia amar (risos e risos).
Tim viveu 55 anos de sua vida, expressando toda beleza e tristeza através de sua voz de trovão. Nunca perdeu sua autenticidade e seu jeito único de encarar a vida, as facilidades e dificuldades. Concordo com o Nelson Motta quando ele disse que nunca viu alguém mais livre como Tim Maia foi, no entanto ele pagou um preço monstruoso por suas escolhas e decisões.
Salve Tim Maia!
* Modificado em 31/03/2011 por Valéria de Oliveira (quem havia feito as pesquisas e quem escreveu o texto sobre o artista)

6 Comentários:
A música brasileira tem muito o que agradecer a esse gênio da música. Salve, salve, Tim Maia!!! Bjus.
http://so-pensando.blogspot.com
Ai gnt! não tem festa q eu vá q não tenha uma dança do9 tim no fim da festa! Pra mim é sempre mais um motivo pra dançar! Adoro tudo, as letras os ritmos! enfim, realmente é um artista mt respeitado! Abraços!
"Não sei por que você se foi, tantas saudades vou ser..." Tim Maia já sabia sobre dores, amores e despedidas. Parabéns pela linda homenagem e obrigada pela visita, volte! Bjus!!! Ha! Meu coração ainda aperta, mas já ando com a cabeça erguida!
Passei a minha adolescência ouvindo Tim Maia, adoro aquele vozeirão.
Excelente post.
Pô Jairão! Esqueceu de falar que o Tim era um grande atleta de Triatlon. Não sabia?
O triatlon dele, alternativo, juntava os "esportes" whisky, "pot" e "pó".
Abrax!
Manda bem, jornalista!
Ele era um doidão gente boa. Já leu o livro? eu indico, é ótimo!
bjs
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